O Ecourbanista: Dezembro 2010

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sábado, dezembro 04, 2010

0022 - Quando as idéias não entram em trânsito...

Ontem iniciou-se, propriamente dito (o coquetel de abertura do evento deu-se anteontem), o Seminário sobre Trânsito e Transporte (TRANS 2010/2020), realizado pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito de Maceió (SMTT), com apoio do Centro de Ensino Superior de Maceió (CESMAC).
O grande foco do evento, como não poderia deixar de ser, é o caótico tráfego maceioense. Uma grande sacada foi chamar representantes dos mais variados setores para discutir o assunto sob o seu ponto de vista e buscar algum diálogo entre eles a fim de se redigir a Carta de Maceió.
Tráfego e trânsito existem desde que o ser humano aprendeu a se locomover. Com o passar do tempo, os meios de locomoção vão se aperfeiçoando (hoje, podemos inclusive nos transportar por vias aéreas e marítimas). Infelizmente, o ser humano teima em não se aperfeiçoar.
Como o jornalista Jorge Moraes bem colocou, a cidade não é planejada para o futuro. No caso específico de Maceió, o caos se instalou no momento em que grande parte da população conseguiu acesso a um veículo automotor e o número destes passou a estrangular as vias citadinas. E desde sempre, as administrações seguem fazendo "remendos" para comportar a crescente frota.
A Promotora Dalva Tenório citou brilhantemente algumas cidades européias como Freiburg, em cujos centros o passeio com automóveis e motocicletas é terminantemente proibido. Isso eu chamo de forte incentivo ao uso de transporte coletivo. Mas o maior passo para se incentivar o uso do transporte de massa é a melhoria deste transporte. Afinal, quem aqui gosta de pegar ônibus para ir onde quer que seja, principalmente se lembrar do estado atual de nossa frota?
Outro tópico interessante foi levantado pelo Secretário do Meio Ambiente Ricardo Ramalho: a existência de árvores em uma cidade não corresponde apenas a enfeite urbano - mais que isso, é conforto ambiental, proteção da natureza e mesmo alívio visual e psicológico aos habitantes (em especial, aos motoristas em um estressante momento de engarrafamento), daí a grande importância das ECOVIAS (me estenderei sobre o assunto num próximo post).
O melhor dito de todo o TRANS saiu dos lábios da jornalista Bleine Oliveira: a população não é educada para dirigir, para ser motociclista, para ser ciclista e tampouco para ser pedestre. Eu diria que, mais que educação no trânsito, falta educação básica, mesmo. Num Estado em que a maioria da população é analfabeta e cuja parcela "educada" se acha no direito de fazer o que quer e bem entende, um veículo acaba transformado em uma arma, especialmente quando aliado a outras armas: branca, de fogo, de destruição em massa, alcoólicas, em pó, semente, em fumo e qualquer outra variante (o que este blogueiro chama de cultura da empáfia - todo mundo vira homem/mulher quando tem um órgão extra para dar coragem).
Algo que chamou muito a atenção deste blogueiro foi a participação de certo maciça - e em alguns momentos particularmente agressiva, embora de nenhum modo sem motivos válidos - de habitantes do bairro do Benedito Bentes e de integrantes da FAMECAL, além da presença do pessoal da Bicicletada de Maceió. Eles reforçam o ponto de que reclamações e questionamentos são mais que necessários para lembrar o poder público dos focos de melhoria.
Um destaque especialíssimo ao "figura" Sérgio, que é, no mínimo, o Rain Man versão Google Maps. O homem sabe os nomes de TODAS as ruas e praças de Maceió!!! E também os nomes completos de todos os palestrantes!!! Fiquei pretérito mais-que-perfeito!!!
Hoje foi o segundo (e último) dia e não poderia ter ocorrido de forma mais desorganizada e desrespeitosa com aqueles que atenderam aos seus dois dias. Além dos constantes atrasos no cronograma (algo infelizmente comum em eventos deste tipo ocorridos nesta área do nordeste brasileiro), a organização cortou o intervalo para o almoço sem avisar aos presentes. Como resultado, muitos dos que saíram no final da pretensa última palestra do período matutino voltaram e deram de cara com o final da ÚLTIMA PALESTRA DO EVENTO.
Quando se achava que não podia piorar... no segundo parágrafo, falei da CARTA DE MACEIÓ - É difícil imaginar que tal carta não foi nem imaginada? O pessoal da organização, por mais bem-intencionado que possa ter sido, esqueceu que nenhum debate se faz com uma pessoa dizendo que a situação está ruim e com outra mostrando projetos e feitos. Urge a existência de idéias, de opiniões outras que não tiveram voz ou vez no TRANS 2010/2020. Fora que o objetivo maior deste evento era a já citada carta. Então, tornou tudo algo pior que superficial – tornou VAZIO.
Ao final, ficou claro a todos que o evento era mais propaganda do trabalho da Prefeitura de Maceió que qualquer outra coisa - evidenciados pelo pouco tempo para cada palestra e da virtual ausência de espaço para uma discussão saudável, o que causou a revolta dos líderes do Benedito Bentes logo no ´primeiro dia, e a de vários presentes hoje, no final. Que a confusão causada nestes dois dias sirva de lição para que a SMTT melhore o cronograma do próximo TRANS - que, espero, não venha a acontecer somente em 2020.

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