O Ecourbanista

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domingo, agosto 16, 2015

0024 - #Sustentabilize

Na tarde deste sábado (dia 15 de agosto), compareci ao auditório do Campus Eduardo Almeida, no CESMAC, para acompanhar o seminário Sustentabilidade: três visões por um ideal, um evento cujo tema é "Conectando atitudes para melhorar o mundo!" e a hashtag #Sustentabilize.
A grande surpresa foi descobrir, ao início do evento, que se trata, realmente, de um trabalho de faculdade. O #Sustentabilize é um trabalho da Turma "E" do curso de pós-graduação em Assessoria de Comunicação e Marketing, na matéria Cerimonial e Protocolo, ministrada pela jornalista Gilka Mafra.

Fonte da imagem: arquivo pessoal do autor

Aguardando o início das atividades
A tarde se iniciou com a fala de Patricia Barroso e Vitor Salessi, sócios da empresa Bem Raiz e membros da comissão do Fórum Sustentável de Maceió. A empresa se especializou em levar práticas sustentáveis ao ciclo de vida das empresas que as contratam, e buscaram passar em seu momento as guias que norteiam suas práticas, destacando o valor da parceria.
Fonte da imagem: arquivo pessoal do autor

Bem Raiz
Como o Fórum Sustentável é parte dos produtos mais queridos de sua empresa e já começa a se tornar um ente e ganhar vida própria - inclusive aparecendo como um dos incentivadores do evento, nada mais natural que Vitor e Patricia fizessem um "merchan" básico do evento - cuja próxima edição está fechada para acontecer no dia 24 de setembro, na semana do Dia Mundial Sem Carro.
Fonte da imagem: arquivo pessoal do autor

Patricia Barroso
Marcela Daher está à frente do Projeto RECOR - de "restauração do rio Coruripe", que trabalha com apoio da Petrobras e do Governo Federal. Como o nome já diz, seu maior foco se encontra na recuperação de matas ciliares e restauração de nascentes da bacia hidrográfica do Coruripe (que abrange os municípios de Coruripe, Teotônio Vilela, Junqueiro, Igaci e Limoeiro de Anadia). Também fazem um trabalho importantíssimo de levantamento de fauna e flora nativas da mata atlântica (alerta de EcoUrbanista in love).
Fonte da imagem: arquivo pessoal do autor

Marcela Daher
Fábio Barbosa, responsável pelo Parque Municipal de Maceió, apresentou uma série de atividades executada pelo Parque (muitas delas com enorme dose de criatividade), e falou abertamente sobre os desafios enfrentados hoje (como problemas com pouca segurança e a poluição das águas que nascem fora das suas cercanias) por este órgão que, até bem recentemente, era ignorado pela maioria esmagadora da população e pelo próprio poder municipal.
Fonte da imagem: arquivo pessoal do autor

Fábio Barbosa
O Parque Municipal funciona muito além do mero prazer contemplativo. Em sua mata, além da fauna e flora selvagem que abriga e das trilhas ecológicas ofertadas, há programas de dança, integração da comunidade e um especialíssimo de ressocialização de menores infratores. Em dado momento, Barbosa mostrou o depoimento de um dos reeducandos que trabalha no Parque, dizendo que ele ajudava a matar animais, e tudo mudou na vida dele após o início de seu trabalho no local - este foi o momento em que meus olhos marejaram e este Ecourbanista ameaçou desabar no meio dos presentes. Ah, estes malditos ninjas cortadores de cebolas...
Fonte da imagem: arquivo pessoal do autor

O momento do debate
Um tema recorrente nas falas de todos os palestrantes foi a necessidade de EDUCAÇÃO AMBIENTAL! Seja como forma de adaptação empresarial aos novos tempos, seja como forma de mostrar novos modos de sustento e manejo da terra para a população, desde os pequenos até os idosos - como foi muito bem pontuado por Marcela Daher: "nenhum trabalho segue sem a inclusão da comunidade." Fábio Barbosa, inclusive, listou merecidamente os trabalhos das queridas Virgínia Miller e Eva Moraes e pontou que a nação e os municípios passam agora por um processo de reestruturação de seus Planos de Educação, onde a presença desta questão se faz imprescindível.
Fonte das imagens: arquivo pessoal do autor

Barroso e Salessi. Barbosa e Daher.
Como evento, em si, o #Sustentabilize foi muito bem pensado, elaborado e executado. A propaganda foi vistosa e simples, com artes belas e divulgação nos pontos e quantidades certos. A equipe de recepção foi cortês e atenciosa - embora eu ainda não tenha entendido o porquê de tantas pessoas em pé entre a mesa de recepção e as cadeiras, visto que houve pouca interação com o público. A decoração foi bem inspirada, com poltronas e namoradeiras aguardando a hora do debate - nenhuma destas fotos que ilustram este post tem efeito, a iluminação estava totalmente verde, mesmo. Meu porém a este ponto foi que, em certos momentos, a vista cansou. Era muita luz verde e branca no palco, enquanto a plateia não teve as luzes acesas até a segunda metade do evento - o que foi um problema para aquel@s que gostam de fazer anotações.
Fonte da imagem: arquivo pessoal do autor

Discussão com a platéia
O único problema real foi o bendito equipamento de som. Todos os envolvidos penaram com microfonia, "soluços" e estouros, mas embora sem uma solução satisfatória, o problema foi endereçado com graça. A Mestre de Cerimônias foi bem competente e seguiu seu trabalho à risca, assim como os encarregados das placas de tempo.Cada palestrante teve vinte minutos para apresentar seus trabalhos, antes de juntar todos em uma discussão com a plateia. Ao final de tudo, o saldo é bem positivo! Eu espero demais que este evento se repita ao menos anualmente.

A turma está de parabéns e, certamente, merece uma nota próxima do dez.

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sábado, dezembro 04, 2010

0022 - Quando as idéias não entram em trânsito...

Ontem iniciou-se, propriamente dito (o coquetel de abertura do evento deu-se anteontem), o Seminário sobre Trânsito e Transporte (TRANS 2010/2020), realizado pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito de Maceió (SMTT), com apoio do Centro de Ensino Superior de Maceió (CESMAC).
O grande foco do evento, como não poderia deixar de ser, é o caótico tráfego maceioense. Uma grande sacada foi chamar representantes dos mais variados setores para discutir o assunto sob o seu ponto de vista e buscar algum diálogo entre eles a fim de se redigir a Carta de Maceió.
Tráfego e trânsito existem desde que o ser humano aprendeu a se locomover. Com o passar do tempo, os meios de locomoção vão se aperfeiçoando (hoje, podemos inclusive nos transportar por vias aéreas e marítimas). Infelizmente, o ser humano teima em não se aperfeiçoar.
Como o jornalista Jorge Moraes bem colocou, a cidade não é planejada para o futuro. No caso específico de Maceió, o caos se instalou no momento em que grande parte da população conseguiu acesso a um veículo automotor e o número destes passou a estrangular as vias citadinas. E desde sempre, as administrações seguem fazendo "remendos" para comportar a crescente frota.
A Promotora Dalva Tenório citou brilhantemente algumas cidades européias como Freiburg, em cujos centros o passeio com automóveis e motocicletas é terminantemente proibido. Isso eu chamo de forte incentivo ao uso de transporte coletivo. Mas o maior passo para se incentivar o uso do transporte de massa é a melhoria deste transporte. Afinal, quem aqui gosta de pegar ônibus para ir onde quer que seja, principalmente se lembrar do estado atual de nossa frota?
Outro tópico interessante foi levantado pelo Secretário do Meio Ambiente Ricardo Ramalho: a existência de árvores em uma cidade não corresponde apenas a enfeite urbano - mais que isso, é conforto ambiental, proteção da natureza e mesmo alívio visual e psicológico aos habitantes (em especial, aos motoristas em um estressante momento de engarrafamento), daí a grande importância das ECOVIAS (me estenderei sobre o assunto num próximo post).
O melhor dito de todo o TRANS saiu dos lábios da jornalista Bleine Oliveira: a população não é educada para dirigir, para ser motociclista, para ser ciclista e tampouco para ser pedestre. Eu diria que, mais que educação no trânsito, falta educação básica, mesmo. Num Estado em que a maioria da população é analfabeta e cuja parcela "educada" se acha no direito de fazer o que quer e bem entende, um veículo acaba transformado em uma arma, especialmente quando aliado a outras armas: branca, de fogo, de destruição em massa, alcoólicas, em pó, semente, em fumo e qualquer outra variante (o que este blogueiro chama de cultura da empáfia - todo mundo vira homem/mulher quando tem um órgão extra para dar coragem).
Algo que chamou muito a atenção deste blogueiro foi a participação de certo maciça - e em alguns momentos particularmente agressiva, embora de nenhum modo sem motivos válidos - de habitantes do bairro do Benedito Bentes e de integrantes da FAMECAL, além da presença do pessoal da Bicicletada de Maceió. Eles reforçam o ponto de que reclamações e questionamentos são mais que necessários para lembrar o poder público dos focos de melhoria.
Um destaque especialíssimo ao "figura" Sérgio, que é, no mínimo, o Rain Man versão Google Maps. O homem sabe os nomes de TODAS as ruas e praças de Maceió!!! E também os nomes completos de todos os palestrantes!!! Fiquei pretérito mais-que-perfeito!!!
Hoje foi o segundo (e último) dia e não poderia ter ocorrido de forma mais desorganizada e desrespeitosa com aqueles que atenderam aos seus dois dias. Além dos constantes atrasos no cronograma (algo infelizmente comum em eventos deste tipo ocorridos nesta área do nordeste brasileiro), a organização cortou o intervalo para o almoço sem avisar aos presentes. Como resultado, muitos dos que saíram no final da pretensa última palestra do período matutino voltaram e deram de cara com o final da ÚLTIMA PALESTRA DO EVENTO.
Quando se achava que não podia piorar... no segundo parágrafo, falei da CARTA DE MACEIÓ - É difícil imaginar que tal carta não foi nem imaginada? O pessoal da organização, por mais bem-intencionado que possa ter sido, esqueceu que nenhum debate se faz com uma pessoa dizendo que a situação está ruim e com outra mostrando projetos e feitos. Urge a existência de idéias, de opiniões outras que não tiveram voz ou vez no TRANS 2010/2020. Fora que o objetivo maior deste evento era a já citada carta. Então, tornou tudo algo pior que superficial – tornou VAZIO.
Ao final, ficou claro a todos que o evento era mais propaganda do trabalho da Prefeitura de Maceió que qualquer outra coisa - evidenciados pelo pouco tempo para cada palestra e da virtual ausência de espaço para uma discussão saudável, o que causou a revolta dos líderes do Benedito Bentes logo no ´primeiro dia, e a de vários presentes hoje, no final. Que a confusão causada nestes dois dias sirva de lição para que a SMTT melhore o cronograma do próximo TRANS - que, espero, não venha a acontecer somente em 2020.

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